Joey Dunlop: "Nunca quis ser uma super estrela, só quis ser eu mesmo, espero que se lembrem de


Joey Dunlop (William Joseph Dunlop), 1952-2000, nasceu na Irlanda do Norte (Reino Unido) e é um ícone do motociclismo Mundial. A sua carreira alcançou um enorme destaque na área das provas de velocidade em estrada, neste tipo de competição liderou e consolidou uma tradição muito popular entre os seus conterrâneos.
Numa votação, promovida pela revista MOTORCYCLE NEWS em 2016, foi eleito o segundo maior ícone de sempre do motociclismo (o primeiro, nesta ocasião, foi Valentino Rossi).
De origens muito humildes (ele dizia que a sua familia não era a mais pobre da Irlanda do Norte, mas não estava longe dessa posição), eram sete irmãos na altura do pós-guerra e o seu pai era mecânico.
O INICIO
Iniciou a sua carreira desportiva em 1968. Na altura para obter licença desportiva era necessário ter licença de condução, Joey não tinha..., serviu-se do nº de licença de uma das suas irmãs!...
A sua primeira participação foi com uma ITOM 50cc emprestada, serviu para viver o ambiente, no entanto a moto não funcionava.
Em 1969, correu nas três provas que se disputaram na Irlanda do Norte aos comandos de uma TRIUMPH Tiger Cub 200cc. A moto foi adquirida por 50 Libras emprestadas e não lhe permitiu resultados de relevo.
Em 1970, devido a um ferimento na cabeça em resultado de um acidente de automóvel, as suas participações foram irregulares.
Em 1971, a TRIUMPH foi substituída por uma SUZUKI INVADER (200cc, 2T, 2 cilindros refrigerada por ar), ainda que continuasse a ser uma moto pouco competitiva e alterada a partir de uma moto de estrada, era, ainda assim, bastante menos má que a anterior. Nesse ano, Joey terminou em quarto lugar em Kirkistown e em segundo (o primeiro pódio de muitos durante a sua vida) em Tandragee.
Em 1972 (Joey casou com Linda nesse ano) e 1973, Joey batalhou, apresentando resultados pouco entusiasmantes fruto de uma enorme falta de meios. Ainda assim, o seu carácter persistente e lutador começou a atrair as atenções da comunidade das corridas de moto em que estava inserido. Terminou em 19º em Ulster a lutar contra pilotos de topo (Mick Grant, John Williams, etc..) muito bem equipados.
Em 1974 nasceu Julie (a primeira de cinco filhos, 3 raparigas e dois rapazes), juntamente com Merv Robinson, competia com uma AERMACCHI. Conseguiu alguns resultados de relevo e participou pela primeira vez na Ilha de Man num evento de Club tendo conseguido um 2º e um 3º lugares. O meio de transporte que contratou (equipa e as motos) para a Ilha de Man foi um barco de pesca, anos mais tarde, em 1985, o barco de pesca em que, como sempre, fez a viagem naufragou, todo o pessoal a bordo saiu ileso, mas as motos tiveram que ser recuperadas por mergulhadores, felizmente as dele - na altura HONDAs de fábrica tinham ido num ferry... -. Foi nesta altura que começõu a competir com as YAMAHA 350cc (2T, 2 cilindros, refrigeradas por ar) e que os bons resultados começaram a aparecer. Foi nesta altura que Joey e Merv (também com bons resultados) começaram a ser acarinhados pelos norte-irlandeses (que nas motos sempre exibiram uma espécie de tribalismo semelhante ao que noutros locais o futebol desperta) e, também por essa razão, começaram a ter mais atenção por parte de eventuais patrocinadores.
1975 e 1976 os bons resultados surgiram de forma constante, os irmãos Rea (através da sua empresa, a REA DISTRIBUTION) envolveram-se enquanto patrocinadores e a artilharia ressentiu-se, positivamente, em várias ocasiões Joey chegou a participar em 3 corridas (250cc, 350cc e 500cc - na verdade a 500cc era uma 351cc..) em YAMAHAs TZ com quadro SEELEY. Foi nesta altura que Joey começou a ser considerado pelos ingleses como um adversário a ter em conta.
THE ARMOY ARMADA, 1977-1979
Diz-se que as corridas de motos de estrada, tal como o estrume de vaca, estão no ADN da Irlanda do Norte.

Armoy é uma pequena aldeia (414 habitantes no censo de 2001), perto de onde Joey e outras lendas do motociclismo eram naturais, viviam e socializavam.
No período de 1977 a 1979, com um entusiasmo colectivo nasceu THE ARMOY ARMADA uma equipa de que faziam parte:
- Joey Dunlop;
- Frank Kennedy, um grande entusiasta - chegou a andar de moto, como pendura, com as duas pernas partidas -, ganhava dinheiro num stand de automóveis que possuía para o gastar nas corridas de motos. O seu melhor resultado foi um 2º lugar na North West 200 em 1976. Viria a falecer num acidente na edição de 1979 da mesma prova;
- Jim Dunlop, irmão mais novo de Joey e único sobrevivente, hoje, entre os membros da ARMADA. Participou na Ilha de Man regularmente entre 1977 e 1981. O seu filho Sam é um participante regular nas corridas em Armoy;
- Mervyn Robinson "Robo" começou a correr em 1968, foi um piloto de muito bom nível, foi mentor, colega, adversário e frequentemente superou Joey. Era também um grande mecânico, fazia maravilhas com material velho. Triunfou pela primeira vez em Kirkistown (1974) e a sua performance mais significativa foi a vitória em Ulster (1975). Faleceu em 1980 num acidente na corrida de 500cc na Northwest 200.
Em 1977 o melhor resultado de Joey foi a vitória na prova SCHWEPPES JUBILEE CLASSIC no TT da Ilha de Man, o segundo classificado foi George Fogarty (pai de Carl Fogarty). Nesta prova ganhou 1.000 Libras, de longe o maior prémio em dinheiro que até aí recebeu.
Em 1978 o seu resultado mais importante foi 5º lugar em TT2, numa BENELLI 550, na Ilha de Man.
Em 1979 as duas (International Match e NE200) vitórias na North West 200 a que se juntaram mais duas (500cc e Superbike) vitórias no Ulster Grand Prix, foram os resultados mais significativos.
1980 é um ano de transição, o seu ultimo ano antes da HONDA. Foi o vencedor na Ilha de Man na classe CLASSIC aos comandos de uma YAMAHA TZ 750. Com uma SUZUKI de fábrica participou apenas numa (Ulster GP) das duas corridas que compunham o Campeonato do Mundo TT1, foi contratado para uma única corrida com a intenção de ajudar Graeme Crosby. No Ulster GP foi 2º, na mesma manifestação ganhou duas provas: 250cc e Superbike. No final ficou em terceiro no Mundial TT1 atrás de Mick Grant (HONDA) e do seu chefe de fila, na SUZUKI, Crosby.

Joey Dunlop, YAMAHA TZ 700, 1980 Joey Dunlop, Temple 100, 1989 Joey Dunlop, Ilha de Man, 1978 Joey Dunlop, A
HONDA

De 1981 até ao, prematuro, fim da sua carreira, Joey foi sempre piloto oficial HONDA. Foi nesta fase, apesar de tudo, grande (19 anos), que pôde revelar toda a sua categoria. Curiosamente, conseguiu que a HONDA lhe confiasse as motos, apesar da sua maneira de ser, Barry Symmons (director da equipa HONDA Britain) disse: " Ele era o último privado - nunca deixava saber o que estava a fazer, como estava a moto, nem nada. Ajudava toda a gente - excepto nas afinações, entendia que não devia dar a conhecer as mesmas, inclusive aos engenheiros da HONDA.". Participou em várias classes, desde as 125cc até às TT1 e Superbike. Os seus resultados mais relevantes foram:
1981 - 3º classificado no Campeonato Mundial TT1
1982 - Campeão Mundial TT1
1983 - Campeão Mundial TT1
1984 - Campeão Mundial TT1
1985 - Campeão Mundial TT1
1986 - Campeão Mundial TT1
1987 - Vice-Campeão Mundial TT1
1988 - Vice-Campeão Mundial TT1
- 13º classificado no Campeonato Mundial Superbike
1989 - não participou devido aos ferimentos resultantes do acidente nas Euroatlantic Series em Brands Hatch
1990 - Vice-Campeão da Cup FIM TT1
A partir de 1991 inclusive, deixou de existir qualquer espécie de troféu FIM para as motos Tourist Trophy. Joey continuou a participar com muito sucesso em várias provas de estrada por toda a Europa. No último TT da Ilha de Man (com 48 anos) em que participou correu em cinco corridas:
- 1º classificado (HONDA VTR SP-1) - Formula 1 (TT1)
- 1º classificado (HONDA RS 250) - 250cc
- 1º classificado (HONDA RS 125) - 125 cc
- 4º classificado (HONDA CBR 600) - Junior
- 3º classificado (HONDA VTR SP-1) - Senior
ILHA DE MAN

As suas 26 vitórias em provas da Ilha de Man:
- 1977 - Jubilee TT
- 1980 - Classic TT
- 1983 - Formula 1 TT
- 1984 - Formula 1 TT
- 1985 - Junior TT, Formula 1 TT e Senior TT
- 1986 - Formula 1 TT
- 1987 - Formula 1 TT e Senior TT
- 1988 - Junior TT, Formula 1 TT e Senior TT
- 1992 - Ultra Lightweight TT
- 1993 - Ultra Lightweight TT
- 1994 - Junior TT e Ultra Lightweight TT
- 1995 - Lightweight TT e Senior TT
- 1996 - Ultra Lightweight TT e Lightweight TT
- 1997 - Lightweight TT
- 1998 - Lightweight TT
- 2000 - Ultra Lightweight TT, Lightweight TT e Formula 1 TT
ULSTER GRAND PRIX

Venceu 24 corridas do Ulster Grand Prix:
- 1979 - 500cc - SUZUKI
- Superbike 750 - YAMAHA
- 1980 - 250cc - YAMAHA
- Superbike 1000 - SUZUKI
- 1983 - TT F1 - HONDA
- 1984 - 250cc - HONDA
- 500cc - HONDA
- TT F1 - HONDA
- 1985 - 250cc - HONDA
- 500cc - HONDA
- TT F1 750 - HONDA
- 1986 - Classic Race 500cc - HONDA
- 1988 - 250cc - HONDA
- 1990 - TT F1 750 - HONDA
- 1991 - Superbike Race1 750 - HONDA
- Superbike Race2 750 - HONDA
- 1992 - 125cc - HONDA
- 1994 - 125cc - HONDA
- Superbike Race1 750 - HONDA
- 1995 - 250cc Race1 - HONDA
- 250cc Race2 - HONDA
- Superbike Race1 750 - HONDA
- 1997 - 250cc Race2 - HONDA
- 1999 - Superbike Race2 750 - HONDA
NORTH WEST 200

Venceu 13 corridas na North West 200:
- 1979 - International Match Race 750 - YAMAHA
- NW200 Race 750 - YAMAHA
- 1981 - NW200 Race 1100 - HONDA
- 1983 - 500 Race - HONDA
- NW200 Race 1000 - HONDA
- 1984 - MCN Master Race 750 - HONDA
- 1985 - 250 Race 1 - HONDA
- NW200 Race 750 - HONDA
- 1986 - NW200 Race 750 - HONDA
- 1987 - Superbike Race 750 - HONDA
- NW200 Race 750 - HONDA
- Production Race 750 - HONDA
- 1988 - Production Race 750 - HONDA
MACAU
Joey correu em duas ocasiões no GP de Macau, em 1982 foi terceiro e em 1983 foi segundo, em ambos os anos o vencedor foi Ron Haslam.
VILA REAL
Joey Dunlop, Vila Real, 1985 001 Joey Dunlop, Vila Real. 1986 Joey Dunlop,Vila Real, 1984
Em Vila Real, Joey Dunlop atingiu rapidamente a estatura de estrela. Participou em 6 das 7 corridas internacionais de TT1 (ou Formula 1) que aí se disputaram. Não participou em 1989 devido a estar em recuperação dos ferimentos resultantes do acidente nas Euroatlantic Series em Brands Hatch. Os seus resultados na capital transmontana foram:
- 1982 - 2º classificado (1º - Wayne Gardner)
- 1984 - 2º classificado (1º - Roger Marshall)
- 1985 - 1º classificado
- 1986 - 1º classificado
- 1988 - 4º classificado (1º - Steve Williams, 2º - Manuel João, 3º - Dave Leach)
- 1990 - 3º classificado (1º - Carl Fogarty, 2º - Robert Dunlop)
JOEY DUNLOP E O CINEMA
A vida de Joey Dunlop deu origem a duas interessantes realizações cinematográficas.
Em 2013 foi realizado um filme/documentário sobre a sua carreira: JOEY - THE MAN WHO CONQUERED THE TT
Em 2014 foi realizado um outro filme/documentário sobre a ele e os seus irmãos: ROAD
O HUMANISMO E AS DISTINÇÕES
Durante a sua vida, Joey dedicou-se em diversas ocasiões a actos de caridade desinteressados. Ofereceu comida e roupa para orfanatos romenos, ajudou na colecta de fundos para a luto contra o cancro, etc..
Pelos seus feitos desportivos e também pela sua grande actividade caritativa recebeu das mãos da Rainha de Inglaterra duas distinções:
- OBE - Order of the British Empire
- MBE - Excellent Order of the British Empire
Em Ballymoney, sua terra natal, e na Ilha de Man ergueram estátuas em sua memória.

A MORTE

Joey encontrou a morte no dia 2 de Julho de 2000 enquanto disputava uma corrida de 125cc num obscuro circuito de estrada na Estónia. Na mesma manifestação, já tinha nesse mesmo dia disputado as corridas de 750cc e 600cc. Depois da sua morte a popularidade dos circuitos de estrada, apesar do perigo real que apresentam, não tem parado de crescer e uma das razões é sem dúvida a poesia da sua vida.
Joey Dunlop, 1986 Joey Dunlop, B Joey Dunlop, C Joey Dunlop, D Joey Dunlop, E Joey Dunlop, F Joey Dunlop, G Joey Dunlop, HONDA RS 850 R, 1983 Joey Dunlop, HONDA RSC 1000, 1982 Joey Dunlop, selos

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